Leishmaniose Visceral, NÃO! Proteja seu cão

Leishmaniose Visceral, NÃO! Proteja seu cão

Leishmaniose é uma doença infecciosa potencialmente fatal de caráter zoonótico, que acomete seres humanos, animais domésticos e silvestres, popularmente conhecida como “Calazar”.

É causada por protozoários do gênero Leishmania sp., e transmitida pelo mosquito Lutzomyia spp., com distribuição mundial, sendo popularmente conhecido como “mosquito palha”, “tatuquiras” ou “biriguis”, onde apenas as fêmeas do mosquito que se alimentam do sangue dos cães e humanos.

Figura 1-Mosquito fêmea do gênero Lutzomyia spp., (mosquito-palha) transmissor da leishmaniose.

Considerada uma doença negligenciada, chega a afetar milhões de pessoas ao redor do mundo, principalmente indivíduos carentes e residentes em países em desenvolvimento, como o Brasil.

A infecção canina geralmente precede o aparecimento de casos humanos sendo mais prevalente que a doença humana. Em âmbito doméstico, a maioria dos cães com sorologia positiva não apresenta sinais clínicos (assintomáticos), atuando, no entanto, como reservatórios e podendo servir de fonte de infecção para os mosquitos.

Os achados clínicos da Leishmaniose Visceral Canina são variáveis, como consequência dos numerosos mecanismos patogênicos e de resposta imune envolvidos na enfermidade. Os relatos científicos das alterações clínicas costumam dividir os pacientes em sintomáticos (apresentam de um a três sinais clínicos), oligosintomáticos (apresentam mais de três sinais clínicos) e assintomáticos (animais positivos sem sinal evidente).

Sinais Clínicos nos cães

Os sinais observados podem variar entre anemia, febre, aumento de volume dos gânglios linfáticos, baço e fígado, perda de peso, atrofia muscular, hiporexia ou anorexia (diminuição ou perda total do apetite), alterações dermatológicas como alopecia (perda de pêlos), onicogrifose (crescimento exacerbado das unhas) disqueratinização, hiperqueratoses, úlceras, nódulos subcutâneos e erosões (mais freqüentes na ponta da orelha e focinho), dermatite descamativa e seborréica, lesões oculares como blefarite, uveíte e conjuntivite, epistaxe (sangramento nasal), diarreias, vômitos, tosse seca, alterações articulares, entre outros.

Nos animais os sinais clínicos são semelhantes em outras doenças (hemoparasitoses), sendo necessário diagnóstico diferencial das mesmas, de modo que o médico Veterinário é o único profissional capacitado para descarta-las e diagnosticar a leishmaniose corretamente.

Sintomas no humano:

Febre intermitente, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento de volume do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, diarreia, sangramento pela boca e no intestino, problemas respiratórios.

Os sintomas da leishmaniose visceral em humanos são muito parecidos com o de outras doenças como: malária, esquistossomose, doença de chagas, febre tifoide, etc, logo,o médico infectologista é o profissional especializado para dar descartar essas doeças, definir o diagnóstico e instituir o tratamento adequado.

Diagnóstico

O diagnóstico em humanos e nos animais é feito através de sinais clínicos, exames laboratoriais (hematológicos e bioquímicos), e exames específicos: parasitológicos, sorológicos (Elisa, RIFI, IFI, FC) e moleculares (PCR).

Os exames parasitológicos buscam a visualização do parasita, mas apesar de bastante específicos, são pouco sensíveis, pois só apresenta resultados positivos em infecções massivas. Os exames sorológicos pesquisam anticorpos contra o parasita no soro sanguíneo. Esses exames indicam que os cães soropositivos já tiveram contato com o parasita ou suas proteínas, no caso de animais vacinados. É importante lembrar que esses exames não indicam doença, mas o contato prévio com o agente. Os resultados de um teste sorológico devem ser interpretados em conjunto com o quadro clínico, pois embora esses testes sejam confiáveis, alguns cães infectados permanecem soronegativos, e também há cães soropositivos que nunca desenvolvem a doença.

Vários estudos tem demonstrado que a PCR (reação em cadeia da  polimerase) é altamente específica e mais sensível do que métodos clássicos utilizados para diagnóstico da leishmaniose, permitindo a detecção de DNA do agente etiológico em cães assintomáticos, até mesmo soronegativos e também é recomendado para melhor monitoramento pós tratamento.

Tratamento

O tratamento da leishmaniose humana é feita através da utilização de medicamentos prescritos pelo médico.

Nos cães um medicamento chamado Milteforan® (miltefosina) foi liberado recentemente (2016) para o tratamento.

O sucesso do tratamento depende da dedicação dos proprietários do animal, pois é um tratamento medicamentoso rigoroso e que exige retornos frequentes para acompanhamento do animal através da realização de exames. Não há a cura parasitológica.

Embora de curso insidioso, as consequências sistêmicas crônicas da leishmaniose podem resultar em expressiva taxa de óbito dos indivíduos acometidos e não tratados adequadamente.

Prevenção

Infelizmente não há vacina preventiva para o humano, mas para os cães há uma vacina comercialmente disponível no mercado de nome comercial (Leishtec). Pode se fazer também, a utilização de repelentes, coleiras a base de medicamentos repelentes, utilização de produtos pour on e spot on e como principal medida preventiva tanto para os cães quanto para os humanos: higienização do ambiente, remoção de entulhos, galinheiros, matéria orgânica gerada por árvores frutíferas, fezes de animais ou qualquer outro tipo de lixo pois assim os mosquitos não se proliferarão.

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